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Especial Ramadan – parte 1

Significado, preparação e Jejum


Essa semana começou o período do Ramadan para os muçulmanos, então resolvi contar um pouquinho sobre como é passar esse mês em um país muçulmano, já que no ano passado eu estava no Egito e vivenciei tudinho.



O Ramadan corresponde ao nono mês do calendário islâmico, o que na prática, faz com que ele varie de data no calendário cristão, cada ano, ele acontece aproximadamente 15 dias antes do ano anterior. Como o calendário islâmico é lunar, o dia de início do Ramadan também é variável a depender da lua. Ano passado, a lua crescente não apareceu no céu no dia previsto, e isso significa que então, o Ramadan ainda não começou, apenas no dia seguinte. Foi bem interessante ficar com tudo preparado, aguardando a lua para saber se já celebraríamos ou não.


Religiosamente, o mês é tempo de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao crente maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, freqüência à mesquita, correção pessoal, autodomínio e o famoso jejum durante o dia.


Meu marido quando criança com roupas típicas do Ramadam


Entretanto, assim como nós no Natal, que nem sempre nos atemos à risca ao significado cristão da data, assumem características sociais à comemoração que por vezes suprimem as religiosas. Aliás, o processo todo me lembrou muito o Natal. O clima festivo, as famílias se preparando para encontrar, as comidas típicas, a decoração... só que o Natal é apenas um dia, o Ramadan dura logo 30!


A preparação começa alguns dias antes, com a decoração das casas, ruas e mesquitas. Muitas luzinhas e picas piscas coloridos, papéis picados e as famosas lanternas de Ramadan. As crianças da rua se organizam para arrecadar dinheiro dos moradores e decorar a rua. Eu que adoro Natal, Páscoa, Festa Junina, adorei incluir o Ramadan na minha lista de datas a se enfeitar a casa. Até por que as lanternas são lindas e na minha opinião digna de ficar o ano todo decorando.



A parte mais tocante e também mais famosa, é o jejum. Todo muçulmano a partir da puberdade deve jejuar entre o amanhecer ao anoitecer. Quando o Ramadan acontece durante o inverno, é mais fácil, os dias são curtos. Entretanto, agora o Ramadan está acontecendo no verão, o que no Egito significa que é dia entre (aproximadamente) 4h da manhã e 7 da noite. Nesse período, eles precisam ficar sem comer, sem beber nada, inclusive água, o que para mim é a parte mais difícil em um calor de 40 graus, sem fumar, e tudo mais que não seja conveniente a um bom ser humano, como ficar nervoso, brigar, falar palavrões e praticar sexo. Segundo eles, tudo isso os aproximam de Deus.


Existem alguns álibis para não jejuar. São os problemas de saúde, gravidez, mulheres menstruadas, ou qualquer situação que te force a precisar alimentar, como aconteceu com os jogadores muçulmanos na Copa de 2014. A eles é permitido quebrar o jejum, desde que esses dias sejam compensados depois em época mais propícia. Tenho uma amiga que vive preocupadíssima por que ela sempre pula os dias da menstruarão e nunca “pagou” ele depois, ela morre de medo de não ir para o paraíso por isso e vive fazendo contas de como pagá-los.


As crianças também são “café com leite”, mas se vemos o jejum quase que como um fardo para se carregar e qualquer sinal verde seria motivo mais que justo para escapulir, os pequenos não veem assim não. Ficam ansiosos pelo dia que a mãe vai os deixar jejuar, quase que como as brasileirinhas que não podem esperar pelo dia de usar o salto alto da mãe.


Assim, quando eles atingem certa idade a mãe deixa jejuar uma ou duas horas, e esse período vai crescendo com a idade, até que na puberdade estejam aptos a realizá-lo em período integral.


 

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