Especial Ramadan – parte 2
- Michelle Bastos
- 17 de jun. de 2016
- 3 min de leitura
Refeições e caridade
O que eu reparei durante o mês do Ramadan no Egito, é que quando vai aproximando ao entardecer, eles vão ficando muito nervosos, e é comum ver brigas e discussões por causa de quase nada. Imagina, você está com fome e sede, a maioria dos egípcios são fumantes, sem fumar, contendo a raiva o dia todo, na hora que escurece, está liberado, eles põem isso tudo para fora de supetão.
Entretanto, a dificuldade da prova de resistência é um pouco aliviada pela mudança de horários. Devido ao jejum, os turnos de trabalho e escola mudam para que encerrem mais cedo. Por exemplo, se o horário escolar normalmente é de 9h às 14h, no Ramadan é de 8h às 13h. E cada empresa adapta seus horários da melhor forma para que ao Iftar (refeição de quebra do jejum) todos estejam em casa. O que nem sempre soluciona o problema, pois muita gente acaba ficando preso no trânsito sem conseguir chegar em casa a tempo. Nesses casos, diversas pessoas se organizam para ficar oferecendo aos motoristas garrafas de água e castanhas que aliviam a fome até conseguirem chegar em casa. Achei muito fofo!
As famílias se reúnem praticamente todos os dias para o Íftar. Entretanto, antes de comer, devem rezar. Podem existir famílias de bons muçulmanos que pratiquem a reza fervorosamente e calmamente antes de comer. Na minha família, a realidade era outra. Esperávamos a Tv anunciar o horário (por que muda coisa de minutos de um dia para o outro), com a mesa já posta. E enquanto a reza era feita na televisão, já estava todo mundo de olho no que ia atacar, já adiantando o sanduíche para morder quando pronunciassem o ponto final da reza.

Iftar na casa de amigos
A primeira coisa que comem são tâmaras secas com leite. Dizem que é importante para preparar o estômago depois de tanto tempo de jejum.
A segunda refeição importante durante o mês, é o Su-Hoor. A última refeição que pode ser realizada, bem como o último horário para beber água, dar o último trago e se preparar para mais um dia de jejum. Nessa refeição a comida é com muito pouco sal, e azeitonas e pickles que estão em quase toda mesa egípcia, são vetados. Tudo isso para evitar que se sinta sede. Também com essa proposta, é tradição tomar iogurte natural, que prolonga a hidratação do corpo. Por isso, é comum ver na entrada de todos os supermercados pilhas e pilhas de iogurte nessa época. Cada um toma dois ou três potinhos por noite.
E entre uma refeição e outra, nada de dormir. É tempo de festejar. Todo mundo está nas ruas, passeando, ou na casa de familiares. É tempo de alegria e acima de tudo, caridade!
No período, ninguém fica sem uma boa refeição. Muitas dessas refeições citadas acima são realizadas em imensas mesas comunitárias nas ruas. Todos se organizam para doar comida a aquele vizinho necessitado, ou àquela comunidade mais pobre. Até mesmo as igrejas cristãs doam cestas e cabe ao governo subsidiar a carne para que seja mais barata nesse período e todos possam ter acesso a uma refeição farta. Além das mesquitas que promovem diversas atividades e refeições, é claro.