Khan el Khalili
- Michelle Bastos
- 29 de jan. de 2015
- 4 min de leitura

Posso dizer que vou falar de um dos meus locais favoritos no Cairo. Nao sei se por gostar de uma pechincha, ou por achar que esses mercados tem muito da aura de cada local, esse lugar me encantou. Tanto foi que voltei nada menos que 4 vezes. Sempre achava algo pra comprar ou fazer por la.
Eh realmente uma imersao na cultura, com a sensacao de volta no tempo. Os corredores de arquitetura medieval se misturam a atmosfera de souk arabe, abrigando centenas de lojas e cafes. Os vendedores chamando, insistemente, para as lojas, o cheiro das especiarias que se misturam as essencias, e os milhares de diferentes artigos vendidos, sao de pura contemplacao para a visao e o olfato.





A primeira regra de compra no local eh: nada tem preco fixo. Tudo e negociavel. E negocie, eles adoram isso e provavelmente vao se empolgar e comecar a gritar, nao se assuste, embora pareca eles estao brigando. Esse eh o jeito arabe de falar.
Custei a entender isso. O Sedik sempre comeca a “gritar” comigo quando a gente esta conversando mais calorosamente. E eu sempre choro, achando que ele esta brigando, enquanto ele jura que nao, eh apenas jeito de falar. E realmente eh. Se voce ve-los conversando entre si, vai achar que tem uma briga a cada esquina.
Entao, durante a negociacao com certeza irao mostrar essa faceta da cultura. Eles se esforcaram para provar que o produto deles eh melhor que dos outros, ja que quase todos vendem as mesmas coisas; vao se esforcar pra falar sua lingua, e muitos arranham o portugues. Nao se intimide e va firme na sua proposta de compra. Parta sempre de um valor pelo menos 50% menor do que o preco inicial.
E tem uma curiosidade que pode te render bons descontos. Estavamos sentados em um café dentro do mercado, apreciando um cha, o que nos faz tornar clientes altamente em potencial pra eles, afinal nao podemos dizer nao e sair andando, o que os fazem trazer a barraquinha praticamente inteira na sua mesa. Depois de muitos naos, um senhor vendendo Sebha, uma coisa que posso explicar como um terco na versao muculmana, veio e comecou a conversar com o Sedik em arabe. E eu logicamente pensei que o

Sedik estava o dispensando, quando ele tira algo em torno de 2 euros e compra a coisa. Como assim? O que eu vou fazer com isso? Entao, ele me explicou que rola uma especie de supersticao entre os vendedores que diz que eles nao podem perder a primeira venda do dia. Se isso acontecer, o dia de vendas nao sera bom. Entao, eles fazem qualquer negocio, ate mesmo vender abaixo do preco de custo. Ai acalmei e achei justo, ja que ate entao estava indignada com meus 2 euros indo embora. Entao, va cedo ao Mercado. Mas lembrando que o cedo egipcio eh ali pelas duas da tarde. Antes esta tudo fechado.
O mercado esta cercado de mesquitas, fica no coracao islamico da cidade por assim dizer. Muitas de grande relevancia religiosa como a Al Hussein, na qual reza a lenda que a cabeca de um dos netos de Maome, o profeta do Islam, foi enterrada la. O que fez o local se tornar centro de peregrinacao muculmana, onde muitos vao fazer pedidos e oracoes. Aproveite para visita-las.
Alem das mesquitas, ha muitos restaurantes e cafes. Na nossa primeira visita, ao tentar escolher um dos restaurantes pra sentar, rolou um super choque. Os garcons de todos os restaurantes, uns 5, perceberam que estavamos escolhendo um para sentar e vieram todos em cima do meu marido, tentar convence-lo. Mas a negociacao nao parecia nada pacifica. Imagina ele no meio tentando andar, os cinco em volta aos berros. Ele gritando no meio tambem. E dezenas de pessoas paradas em volta olhando a cena estufatas. Coisas do Egito!

Aproveitei pra experimentar o Hommos El Sham, que ate agora nao sei definir se trata de uma bebida ou sopa. Eh tipo um molho de tomate com uns graos de bico boiando, e voce toma no copo. Parece estranho, mas achei uma delicia, apesar do Sedik ter colocado meio quilo de pimenta, rs.
Outra coisa a se experimentar por la - eu sei parece estranho, nojento, mas tira o preconceito e se joga – eh pombo recheado. Nao comi porque minha sogra estava preparando em casa para o dia seguinte. Eh bem gostoso, so nao da pra ficar pensando muito no que esta comendo.
Agora, se a intencao eh so sentar e tomar alguma coisa (que nao seja alcoolica como ja expliquei nesse post), a dica eh o Fishawi’s Ahwa. Esse café foi um dos primeiros do Cairo, e por toda a historia foi frequentado pela elite intelectual. Nessas mesas foram escritos muitos livros e romances! O lugar eh indescritivel, escondido nas ruelas do mercado, as mesas ficam no meio do corredor.




Acho que as fotos falam mais do que as palavras. La aproveitei pra fazer uma dessas tatuagens de henna super tradicionais entre as mulheres.

Experimente o tradicional cha egipcio, e uma das bebidas que adoro: Sahlab. A bebida eh feita de um componente extraido de orquideas que so florecem em uma certa regiao da Turquia. Tem que provar pra saber o gosto, nao da pra explicar.

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