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Especial Ramadan – parte 4

  • Foto do escritor: Michelle Bastos
    Michelle Bastos
  • 1 de jul. de 2016
  • 3 min de leitura

O lado menos religioso da celebração

Além das propostas religiosas, existem algumas tradições de Ramadan não tão ortodoxas assim. Uma delas é a história de soltar bombinhas.


Depois do Iftar, sempre saímos para dar uma volta, visitar um parente. E em um dia desses, a criançada da rua viu a gente descendo as escadas do prédio e colocou uma bem na porta para estourar quando a gente chegasse. Eu quase tive uma síncope de susto. Daí no impulso, virei para o menino que se estrebuchava de rir e falei: “você acha que vai para o céu só porque está jejuando? Allah também está vendo as bombinhas que você solta”. Obviamente o menino não entendeu, mas os amigos do meu marido riam tanto do que eu falei que traduziram para o menino que mudou a expressão na hora para a de quem nem ia dormir à noite especulando sobre sua possível entrada no paraíso.


As bombinhas fazem parte do nicho das pegadinhas de Ramadan, que é tão extenso que rende até programa especial na tv. Cada ano, fazem uma pegadinha (estilo super produção) com atores e famosos. Já teve a do avião que começava a cair, a do sequestro no deserto por radicais, já ficaram à deriva em alto mar com tubarões, esse ano é a vez do hotel que pega fogo... éééé, tudo nada condizente com o espirito do Ramadan, mas que faz um sucesso tremendo, faz.



Além destas, é também nesse período que vem as melhores novelas (curtinhas assim mesmo). E até eu já me acostumei a aguardá-las. O engraçado é que a mesma novela passa em vários canais.

Há também o lado comercial, que movimenta as lojas, restaurantes e tudo mais. Todo mundo quer uma roupa nova para o Ramadan, senão várias... uma para cada dia. Entrar em um loja em véspera de Ramadan é sofrência na certa. E durante ele, conseguir uma mesa em um restaurante é uma espera interminável para comer espremido entre tanta gente, e circular pelo Khan El Khalili é enfrentar trânsito a pé.


Uma coisa que é seguida religiosamente no sentido literal da palavra, é a abstinência ao álcool. Todas as lojas de álcool fecham ou colocam cadeados nos freezers, retiram todas as garrafas de bebidas quentes das vistas, e colam jornais para tampar qualquer placa de bebida alcóolica. Os restaurantes, por mais turísticos que sejam, também não servem nem sob propina (o garçom quer ir para céu, gente!).


Mas e aí se você é estrangeiro? O melhor é não visitar o Egito (e demais países muçulmanos) no Ramadan. Ninguém vai te obrigar a jejuar, mas encontrar restaurantes abertos durante o dia vai ser bem difícil, e mesmo que você leve seu lanchinho, pelo amor de Deus não faça o estilo “eu tenho, você não tem”. Coma escondidinho, você não tem nada com o jejum deles, mas respeito ao próximo é dever de todos nós.


E agora, respondendo à pergunta que não quer calar (eu seeei que vocês querem saber): eu jejuei ou não? Eu enrolei. Já que a geladeira estava mais segura que cofre de banco, confesso que escondi vários lanchinhos pelo quarto a fora, no caso da mãe do Sedik descobrir um deles, eu tinha outro. Mas em relação a comida, consegui segurar bem. Sem grandes méritos. Não era algo muito difícil, já que dormíamos praticamente todos os dias as 5 da manhã, acordávamos 4 da tarde, e aí era só esperar umas horinhas para comer. Agora a água eu trapaceava quase todo dia, e um dia peguei a mãe do Sedik no pulo, bebendo também. Será que a gente vai para o céu?

 
 
 

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