10 curiosidades sobre o Egito
- Michelle Bastos
- 4 de jul. de 2016
- 5 min de leitura
A vida acontece a noite
Uma vez quando eu ainda não morava no Egito, meu marido estava de férias aqui e às 2 da manhã me falou que estava indo levar um celular para consertar. Foi como despertar a fúria de um vulcão, “que estória é essa de consertar celular de madrugada? Tem desculpa melhor não, é? ”. E ele passou horas tentando me explicar que aqui as coisas funcionavam sim nesse horário. Nunca engoli essa, até vir morar aqui e a meia noite decidir sair para fazer feira. A vida no Egito é noturna. Se você sair na parte da manhã, as ruas são um deserto e o comércio está todo fechado. Afinal, ninguém quer ficar batendo perna sob um sol escaldante, que no verão tem temperaturas de 45 graus e uma secura de apenas 6% de humidade relativa do ar. Apenas repartições públicas e grandes empresas, na maior parte internacionais, funcionam em horário “convencional”.
2. Criam animais aonde dá, até na cobertura dos apartamentos

Se no Brasil ter uma cobertura significa muito churrasco e sol no fim de semana, no Egito é sinônimo de criação de animas. A maioria dos prédios têm. Ou uma cabra, ou uma ovelha, galinha e pato então, é moleza, dá para criar até na varandinha.
3. “Soltam pombos”

Sabem soltar pipa? Então, tipo isso! A diversão aqui é soltar pombos (mas sem cordinha, né?) Todos os dias ao pôr do sol, pode-se ver no alto dos prédios, no topo de uma construção especial que fazem de madeira, homens e meninos com bandeirinhas guiando o grupo de pássaros no céu, e a um certo movimento eles retornam para as gaiolas. Esses pombos na maioria das vezes são caros e um movimento feito errado, pode significar perdê-los. Existe até campeonato de quem treinou o melhor pombo correio!
4. Comem pombos

Dá para ver que eles adoram pombos por aqui, né? Além de “soltar pombos”, eles comem também. Mas se em um primeiro momento parece uma comida barata e de boteco copo sujo, não é não. É super refinado e caro, afinal ninguém fica na praça tentando engaiolar o bichinho para assar no fim do dia. São pombos de granja, criados com essa intenção. Normalmente são servidos assados recheados com arroz. Já experimentei e achei o gosto da carne parecido mais com pato, e não com frango como a gente pensa. Mas é estilo caranguejo, uma trabalheira danada para comer um “tiquim” de carne.
5. Os homens andam de mãos dadas
Quando você chega tem a impressão de que todos os homens são gays. Eles andam de mãos dadas, braços dados e abraçados na rua. Mandam beijinho um para o outro como forma de cumprimento e chamam de habibi (meu amor). Romântico não? Aqui não, é a forma de tratamento entre homens. Por isso, não se iludam com o título de habibi, até o frentista do posto em cinco minutos conquistam a alcunha de habibi albi (amor do meu coração).
6. Usam jornal na comida

Pois é. Você compra um sanduíche, enrolam no jornal. Quer secar o prato molhado? No jornal. Para cobrir a comida para colocar na geladeira, o jornal já está na mão. Ou você não come quase nada ou se acostuma. Quando eu tento explicar porque não se deve fazer isso para alguém, me olham como se eu estivesse explicando a vida extraterrestre, “doidona essa daí”.
7. Preferência por Pepsi
Aqui não é “pode ser”, tem que ser. Encontrar um Coca-Cola aqui é momento de glória. Todo restaurante, café, mercadinhos, quiosque e hotéis só tem Pepsi. Coca Cola só quando você dá muita sorte ou vai a um supermercado grande de rede.
8. Pão de chão

Quando cheguei aqui e comi o pão árabe (que chamamos de sírio), eu sempre sentia uma crocância que não existia nos outros lugares. E agora mais do que nunca me convenci de que é areia mesmo. As “padarias” egípcias são no meio da rua, e os pães ficam lá expostos, sem nada cobrindo, no poeirão do Cairo.
Tem uma padaria logo em baixo da minha casa, e aí fico só observando. Outro dia o tio apoiou a gradinha de pão (eles carregam em uma grade de madeira, não pode colocar em saquinhos porque murcha) em cima do carro. A gradinha foi escorregando, escorregando e esparramou pelo chão. Ele viu, friamente termino de fazer o que estava fazendo, foi lá, pegou os pães e colocou na bandeja de volta para vender. Mas nem aquela limpadinha safada ele deu, ou seja, foi sem peso na consciência nenhum.
Só a fila do pão, dá um livro por aqui. Outro dia a menininha de uns 7 aninhos veio buscar o pão para a família. Colocaram a gradinha na cabecinha dela porque o bracinho não alcançava o outro lado para segurar. Daí vem um cachorro rodear, ela aperta o passo, o cachorro também. Ela vai só aumentando o ritmo, até que começa a correr do cachorro e voar pão para tudo que é lado. Vem um monte de gente, espanta o cachorro, recolhe os pães rua a fora e ela leva para a família comer.Se vocês vissem o tanto de lixo que fica na rua e considerando que ela é praticamente de terra, eca, que nojinho.
9. Tempestades de areia

Não raro você vai abrir sua janela e se deparar com uma cena igual essa daí de cima. São as tempestades de areia que vem do deserto e são mais frequentes do que as de água.
10. Atiram nos casamentos
Aqui, muito barulho no casamento é sinônimo de sorte, e quer mais barulho do que tiro? Casamento “rhyco” aqui é casamento com muito tiro. Afinal, munição é cara. Funciona assim, os convidados e familiares dos noivos que tem arma, levam, e já vi até vaquinha para comprar munição. Durante o casamento ficam atirando para cima, daí vem os amigos, o pai da noiva, o adolescente exibido, o sobrinho criança, tudo atirar também. E a Michelle a essas horas? A única dando faniquito de desespero. As mulheres passam normalmente ao lado, mesmo sabendo que quem está atirando não tem nenhuma prática. Eu tento manter o mínimo de decência e não desesperar. Até que em um dos casamentos, o avô de um dos noivos que não aguentava nem andar sozinho resolveu ir lá atirar, entregaram a arma na mão dele e o homem não tinha força para mantê-la para cima. Pensei comigo “vai sair tiro para tudo que é lado”. Foi o fim da minha dignidade. Eu tentando entrar de baixo da mesa, e meu marido dando desculpa que eu estava procurando o brinco.
E aí você pergunta se de vez em quando não acontece uma tragédia:
-Não, nunca. Quer dizer, só conheço minha prima que levou um tiro de metralhadora na perna em um casamento na fazenda. (Hein?)
- Ah ... vocês lembram daquela vizinha, que foi chegar na varanda para assistir ao casamento na rua e levou um tiro? ” (:O O quê???)
- Só é engraçado quando vem no jornal que o tiro acertou um dos noivos. (Emoticon de queixo caído estilo máscara do Pânico!)
De vez em sempre tem casamento na rua, fico doida para assistir, mas quando lembro da pobre da vizinha...
Mais um vídeo na verão Rhycaaa:
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